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O impacto da revisão do requisito de desempenho acústico

Readequação e atualização são palavras sempre presentes no universo da construção civil. Recentemente, no dia 14 de setembro, foi publicada a Emenda 2 da Norma de Desempenho de Edificações - NBR 15.575 - que revisa o requisito de desempenho acústico. O prazo para a exigibilidade desta emenda é de 180 dias, o que significa que só começa a valer para os projetos protocolados seis meses após a publicação, no final de março de 2022. Se o empreendimento teve projeto protocolado até esta data, deverá seguir o que está previsto na Norma de Desempenho de 2013. O que muda com estas revisões? As modificações acontecem, essencialmente, no esclarecimento de critérios e métodos de avaliação, sem grandes alterações para as empresas que já desenvolvem os projetos com foco no desempenho.

O primeiro ponto é a explicitação do método de predição do isolamento acústico em campo pela norma internacional ISO 123354. Apesar do método já ser utilizado em simulações computacionais pela Tecomat e principais escritórios especializados em acústica, antes da emenda, esta determinação não estava tão clara como método de avaliação normativo. De acordo com o gestor do setor de desempenho de edificações da Tecomat, Pedro Gois, isto é importante porque dá respaldo às construtoras que utilizam esse método como uma evidência de que o projeto foi desenvolvido seguindo a norma. “Não que seja a evidência definitiva, já que o desempenho final é medido em campo. É, entretanto, um indício de que a construtora/incorporadora desenvolveu os projetos da edificação utilizando parâmetros de desempenho acústico, reduzindo muito o risco de ser surpreendido por problemas dessa natureza”, explica.

Outra modificação relevante é a especificação do método de classificação de ruído de entorno determinando a medição in loco como o principal. A versão 2013 era mais subjetiva. Foram definidos, inclusive, os limites de ruído incidentes nas fachadas da edificação para classificação do ruído de entorno. Os limites presentes no manual de classificação de ruído de entorno da Pró-Acústica, que já era utilizada pela Tecomat, foi inserida na norma. Agora, para classe 1, máximo de 60 decibéis, na fachada; classe 2, máximo de 65 e classe 3, até 70. Acima de 70, é necessário fazer um estudo de conforto. “Trata-se de um trabalho essencial para o dimensionamento das fachadas, paredes, esquadrias externas e janelas”, salienta Otávio Joaquim, doutorando em acústica e coordenador das análises de desempenho acústico da Tecomat.

A norma deixa clara a necessidade de medição do ruído, mas o Mapeamento Acústico por simulação computacional é o método ainda mais preciso. Isto porque a medição convencional avalia o nível de pressão sonora em determinado ponto. Na simulação, é avaliado o nível de pressão sonora exatamente da fachada do empreendimento. Há, entretanto, uma maneira alternativa de definição de classe de ruído de entorno, simplificada, que pode ser realizada desde que atenda a determinadas condições, tais como: o empreendimento não pode ter ferrovia nas proximidades, não estar em zona de aeródromos e em ruas com fluxo de mais do que 500 veículos por hora no limite de 200 m do terreno, entre outras condições.

Outro ponto importante foi o esclarecimento da aplicabilidade do requisito de ruído de impacto, deixando claro que é específico para os ambientes de dormitórios. A versão de 2013 não deixava claro, o que abria margem para interpretação de que o critério seria aplicável para salas e cozinhas, por exemplo. A emenda detalha, ainda, que ambientes como academia e espaços para a prática de crossfit, onde o ruído de impacto é maior, pois o ruido é gerado pela queda de pesos, deve ser feito estudo específico. Para estes locais, a norma exige que haja um projeto específico.